01 junho, 2026

Deus Não Se Esquece



Há uma expressão que aparece repetidas vezes nas Escrituras e que traz profundo consolo ao coração aflito:


Deus lembrou-se.


Deus lembrou-se de Noé (Gn 8:1).


Deus lembrou-se de Abraão (Gn 19:29).


Deus lembrou-se de Raquel (Gn 30:22).


O Senhor lembrou-se de Ana (1 Sm 1:19).


Em contraste, José ouviu uma promessa humana:


Lembra-te de mim quando te for bem. (Gn 40:14)


Mas pouco depois lemos:


O copeiro-chefe, porém, não se lembrou de José; antes, dele se esqueceu. (Gn 40:23)


Aqui encontramos uma das maiores diferenças entre Deus e os homens: os homens esquecem; Deus não.


Noé conheceu a solidão da perspectiva. Enquanto todos seguiam seu próprio caminho, ele permaneceu sozinho crendo na palavra de Deus.


Abraão conheceu a solidão da promessa. Recebeu a visão de um futuro que ainda não podia ver.


Raquel e Ana conheceram a dor da espera e do ventre estéril, carregando lágrimas que ninguém podia resolver.


José conheceu a solidão do exílio, da injustiça e do abandono. Longe de sua família, em uma terra estranha, viu até mesmo aqueles que deviam amá-lo esquecê-lo.


Apesar das diferenças, todos eles ouviram a mesma resposta divina:


"Eu não me esqueci."


Quando Deus se lembra, não significa que algo tenha saído de Sua memória e retornado depois. O Deus onisciente jamais esquece. Nas Escrituras, quando Deus "se lembra", significa que Ele age/trabalha em favor daqueles que ama - e esse trabalho é do seu mais íntimo, manifestando Sua fidelidade no tempo determinado.


Por isso o salmista pergunta:


Que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem para que o visites? (Sl 8:4)


A resposta não está em nosso valor, mas em Seu amor.


O Senhor pensa em nós. Seus pensamentos não são ocasionais nem passageiros. Somos objeto da Sua atenção, do Seu cuidado e da Sua vontade.


Como está escrito:


Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais. (Jr 29:11)


Mesmo quando tudo parece silêncio, Deus continua pensando em Seu povo.


E para remover qualquer dúvida, o próprio Senhor declara:


Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti. (Is 49:15)


Todos podem nos deixar.


Amigos podem partir.


A família pode falhar.


As circunstâncias podem nos reduzir a um lugar onde nos sentimos sozinhos, esquecidos e sem perspectiva.


Mas Cristo permanece.


Cada lágrima é conhecida.


Cada oração é ouvida.


Cada sofrimento é visto.


E a maior prova disso foi dada na cruz.


Deus amou o mundo.


Deus amou Sua Igreja.


E Deus prova Seu amor por nós ao entregar Seu próprio Filho.


O evangelho revela um movimento divino que vai do universal ao pessoal: Deus amou o mundo, mas também me amou. Deus ama Seu povo, mas também conhece meu nome.


A cruz é a prova definitiva de que não fomos esquecidos.


Se Deus entregou Seu bem mais precioso para nos resgatar, então podemos descansar nesta certeza:


Talvez os homens se esqueçam de nós. Talvez até nós mesmos percamos a esperança. Mas o Senhor Jesus não se esquece dos Seus.


(C.A.)


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